terça-feira, 22 de maio de 2012

Dê o nome que quiser.

São lindas as histórias com finais felizes. Quando tudo dá errado o tempo todo, mas nos últimos instantes, nas últimas páginas, tudo dá certo. É lindo ver os casais se beijarem no último capítulo das novelas, quando você tem 10 anos. Mas daí você cresce e com 15 já cansou de ver finais felizes sempre iguais, e começa a torcer pra vilã se dar bem, porque parece mais real. Você começa a perceber que uma mente inteligente ganha de um rostinho bonito (isso porque é melhor não citar o “bom coração”), ou pelo menos deveria ser assim.
A verdade é que temos que nos tocar que a Disney e seu mundo mágico estão muito longe daqui, e que nós já passamos da idade de acreditar em contos de fada.
E é triste imaginar as mil e uma formas dele voltar pra mim (gritando na minha janela, tampando meus olhos e perguntando quem é, aparecendo nas minhas madrugas vazias de surpresa, ou simplesmente tocando a campainha...), mas no final ver que ele escolheu a mais dolorosa: não voltar. E o pior mesmo é continuar esperando, mas eu espero.
Não sei se fiquei chata demais depois de certas decepções, mas já cansei de ler frases como “a vida vai te surpreender”, “alguém vai entrar na tua vida quando você menos esperar” e bibibi, e nunca acontecer nada. E eu só tenho treze anos. Mas parece que é regra, que o destino é igual pra todos (se é que existe destino), e que um dia, mesmo que você morra esperando por esse dia, um dia ele vai chegar na tua vida e você vai entender porque aquele menino não deu certo há uns 10 anos atrás. E você vai ficar feliz e vai desenvolver todas as tuas habilidades artísticas, tipo pintar quadros lindos e criar músicas e dançar ballet pro resto da tua vida de tanta felicidade porque o teu amor chegou e. Era assim que eu imaginava, mas eu cresci e aprendi duas coisas: ele não vai chegar (ou voltar), e eu jamais aprenderei a pintar quadros.
Mas daí começa outra etapa: “por que eu estou aqui? Por que eu estou aqui? Por que eu estou aqui? Por que eu estou aqui? Por que eu estou aqui? Por que eu...” E você pensa em pular da janela do sexto andar, mas acha mais seguro dormir ou ler um livro ou simplesmente entrar no teu tumblr pra se iludir mais um pouco, porque as esperanças não podem morrer. As esperanças são as últimas que morrem, não é? Não, não é! (Ou é, porque eu sei que você não vai voltar, minha razão sabe, as outras pessoas sabem, você provavelmente sabe, não sabe? Sabe. Só não sabe que eu continuo te escrevendo e me escrevendo e me inventando e sobrevivendo só pra daqui 10 anos eu entender o porquê desta espera. Mesmo sabendo que isso não vai acontecer e. Que droga.) Porque minha esperança já morreu há algum tempo e eu continuo andando e chorando e até sorrindo, de vez em quando.
Será que você ia gostar desses meus dois lados? Acho que tu ias preferir o mais otimista... Pena que não vale a pena ser otimista, sabendo que você não vai voltar.
E bom, o que resta eu escrever nesse final de tarde frio e escuro? Talvez eu deva apenas fechar os olhos e fingir a morte. Porque eu até poderia escrever um poeminha sobre o vento batendo na minha janela e blábláblá, mas ia acabar em você. E eu odeio saber que as coisas acabam em você, sempre, mas que esse sofrimento não vai acabar, porque você não vai voltar.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Visitas (in)esperadas

A campainha tocou.
Guardei a caixinha de lembranças na estante e pensei “meu deus, e se for ele?”.  Fiquei sem ar por alguns instantes.
Olhei algumas três blusas até encontrar a que era mais propícia para a sua volta. Me olhei no espelho rapidamente e tentei arrumar o cabelo. Desisti. De qualquer forma, se você voltou é porque me ama mesmo com cabelo desarrumado.
Andei pelo corredor apressada, porém devagar, me perdendo nas nossas lembranças e tentando pensar quantas vezes pedi por este momento. Tropecei algumas vezes e a cada passo me sentia mais perto do paraíso.
A escada que eu tinha medo de descer na infância parecia um obstáculo pequeno perto de todos que eu tinha enfrentado por você. Desci rapidamente, quase gritando “já vai, amor!”. Meu deus, eu amo você.
Procurei a chave dentro da bolsa e em cima da mesa, mas não estava lá. Bom, eu te esperei um bom tempo, não vejo problema em você me esperar por uns 5 minutos.
Logo em seguida encontrei a chave no sofá, segurei-a por alguns instantes pensando “essa é literalmente a chave que vai abrir a felicidade!” e andei ate a porta mais sorridente que nunca.
Abri a porta lentamente falando “finalmente você voltou!”. Uma pizza apareceu diante de mim. Fiquei paralisada por alguns instantes, sem reação. “Foi aqui que pediu pizza, não foi?”
“Foi. Mas também não quero mais!”, pensei. Fechei a porta na cara dele e chorei desesperadamente por alguns minutos.
Estou ficando louca! Você nem tem meu endereço.  

sábado, 5 de maio de 2012

Eu não quero pensar nisso de novo. Mas não deixo de pedir todas as noites para você voltar. Quem sabe em um dia chuvoso, embora os dias chuvosos terem acabado de acabar. 
Eu quero muito acreditar que você vai voltar qualquer dia desses e fazer tudo isso valer a pena. Eu não quero que minha vida se baseie em uma frase como "uma vida inteira esperando o que não vinha" Caio F. Abreu.
Eu quero saber que eu fiquei aqui esse tempo toda porque algo me dizia que tu ias voltar e voltou. Eu preciso saber que temos algo maior do que promessas não cumpridas.
Com certeza tu não tens noção do tanto que eu tenho desejado que tu voltes logo, meu deus, eu preciso de você. Eu preciso escrever um texto gritando teu nome e anunciando pro mundo que você voltou e que eu sempre soube que tu ias voltar. Mesmo que eu não saiba. Mesmo que eu tenha certeza que você não vai voltar. Eu preciso acreditar nisso porque a esperança é a única que morre.
Eu preciso mostrar pra você que agora eu ouço rock e gosto de filosofia. Eu preciso mostrar pra você que as frases de amor que me lembram você estão grudadas na minha parede. Eu preciso acordar um dia feliz sabendo que os dias felizes voltaram.
Eu preciso da tua presença de um jeito que não imaginas. Eu preciso que tu te lembres de mim eu vou repetir isso até você voltar. Eu preciso que você saiba que as coisas mudaram e que foi tudo por você. Eu preciso que você acredite que vai valer a pena, mesmo que pareça perda de tempo, que eu não sou tão inútil assim como parece e que esses textos não são cada dia pra uma pessoa diferente. Eu preciso te contar como andam as coisas, eu preciso te falar que odeio sair de casa e preciso que você me dê motivos bons pra não sair. 
Eu preciso de você de volta. 
Eu não aguento mais passar as madrugadas no escuro escrevendo textos que eu não aguento mais escrever. Eu cansei de repetir as mesmas palavras, eu cansei de pedir pra tu voltares. Por que eu não canso de você?
Eu preciso dar a volta por cima, eu preciso ir pra escola e escrever teu nome nas últimas folhas do meu caderno sem medo. Eu preciso escrever poemas felizes falando de nós, eu preciso que você junte meus cacos. Eu preciso que você me diga que eu não preciso mais esperar, nem chorar, que a dor já passou e que agora está tudo bem. Eu preciso urgentemente acordar deste pesadelo. Eu sei que já estou reclamando de cansaço há meses, mas eu preciso que você saiba.
Eu preciso que você acalme esse desespero, que você silencie esses gritos de saudade, preciso que você mude a página, troque o disco, amanheça.
Meu deus, eu preciso tanto de tudo isso. Eu preciso parar de repetir isso. Mas é que eu preciso tanto de você. Não pra viver, mas pra ser feliz. Só pra ser feliz.
Eu preciso que você acenda as luzes e me tire desse escuro. Eu preciso que você veja que não é drama -embora você nem saiba que o "drama" existe. Preciso que você apague esse fogo, preciso que me ajude a queimar os papeis antigos, preciso que você relembre os momentos que já passaram. Preciso que me ajude a limpar a casa, a abrir a janela, as portas. Preciso que me ajude a deixar o vento entrar, preciso que me ajude a encontrar as asas, preciso que escute o que eu ando pensando, preciso que me mostre que o futuro pode ser melhor que o passado. Preciso que me mostre que eu não preciso me casar com a música porque eu ainda tenho você. Preciso que você faça minhas palavras pararem de "transbordar dor", preciso que você deixe eu viver em você, assim como você vive em mim, preciso que você cure as feridas assim como me machucou. Preciso que o amor se lembre de mim.
Eu preciso que você volte só pra se lembrar de mim. Eu preciso que você se lembre de mim! Por favor, faz tudo isso ter sentido. Faz eu me sentir menos louca.
Eu estou ficando louca, é sério isso, eu estou ficando louca…

sexta-feira, 4 de maio de 2012

731 DIAS DE POEIRA ESTELAR

"A ÚNICA COISA DE QUE PRECISAMOS PARA NOS TORNARMOS BONS FILÓSOFOS É A CAPACIDADE DE NOS ADMIRARMOS COM AS COISAS.

Embora as questões filosóficas digam respeito a todas as pessoas, nem todas se tornam filósofos. Por diferentes motivos, a maioria delas é tão absorvida pelo cotidiano que a admiração pela vida acaba sendo completamente reprimida.
Para as crianças, o mundo - e tudo o que há nele - é uma coisa nova; algo que desperta a admiração. Nem todos os adultos vêm a coisa dessa forma. A maioria deles vivencia o mundo como uma coisa absolutamente natural.
E precisamente neste ponto é que os filósofos constituem uma louvável exceção. Um filósofo nunca é capaz de se habituar completamente com este mundo. Para ele ou para ela o mundo continua a ter algo de incompreensível, algo até de enigmático, de secreto. Os filósofos e as crianças têm, portanto, uma importante característica comum. Podemos dizer que um filósofo permanece a sua vida toda receptivo e sensível às coisas quanto um bebê.
Você é uma criança que ainda não se "acostumou" com o mundo? Ou você é uma filósofa capaz de jurar que isto nunca vai lhe acontecer?
Se você simplesmente balança a cabeça e não se sente nem como criança, nem como filósofa, a explicação para isto é que você já se acostumou tanto com o mundo que não consegue mais se surpreender com ele. Neste caso, você corre perigo. (...) Quero que você viva uma vida instigante."
O Mundo de Sofia, Joinsten Gaarder, página 27/30.


Queria agradecer a todos que me acompanham aqui nesse blog, que lêm meus sentimentos e me apóiam. É extremamente gratificante saber que por vezes eu ajudo vocês com simples textos. Obrigada, e que venham muitos anos mais!


2 anos de poeira estelar.